PGR se opõe ao afastamento dos diretores da Polícia Federal em investigação financeira
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A PGR afirma que não há elementos suficientes que justifiquem a medida.
O afastamento foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias relacionadas ao Banco Master, antigo banco liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central. Mendonça apontou suspeitas de monitoramento ilícito e produção de relatórios de inteligência sem autorização do STF.
No entanto, o posicionamento da PGR destaca que a qualificação negativa do comportamento dos servidores não basta para determinar o afastamento. É necessário apontar atos suspeitos de forma específica para responsabilizá-los. Além disso, a PGR avalia que a medida pode produzir efeitos amplos e representar risco à ordem pública.
Após o afastamento, decidido em 8 de setembro, a medida foi revertida no dia seguinte pelo ministro Flávio Dino, que justificou a decisão no mesmo contexto. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, anulou as duas decisões de afastamento e reintegração, mantendo os diretores nos cargos. Fachin argumentou que a decisão visou preservar a ordem pública, além da segurança jurídica e institucional.
A Operação Compliance Zero mira fraudes financeiras e corrupção envolvendo agentes públicos, tendo como um dos focos Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master.
O caso segue sob análise do STF e da Polícia Federal, com os desdobramentos das investigações ainda a serem acompanhados pelas autoridades e pelo público.